Ansiedade, irritabilidade, insônia, conflitos nos relacionamentos e comportamentos compulsivos podem indicar que algo não vai bem emocionalmente
Eles podem até evitar falar sobre o que sentem, mas o comportamento acaba dando sinais. Ansiedade, irritabilidade, insônia, conflitos nos relacionamentos e comportamentos compulsivos estão entre as situações que podem levar homens a buscar ajuda psicológica.

Segundo a psicóloga Gil Jung, muitos homens ainda demoram a procurar terapia e chegam ao consultório quando o sofrimento emocional já começa a interferir na rotina.
“Durante muito tempo, o homem foi colocado no lugar de quem protege, resolve, sustenta e suporta. Mas pouco se fala sobre quem cuida emocionalmente desse homem. Muitos não chegam ao consultório dizendo simplesmente que estão emocionalmente mal. Eles procuram ajuda pelas consequências desse sofrimento: ansiedade, irritabilidade, insônia, conflitos nos relacionamentos, excesso de trabalho ou comportamentos compulsivos.”
De acordo com a profissional, uma das dificuldades está justamente em reconhecer que determinados comportamentos podem ser sinais de sofrimento emocional. Em vez de tristeza explícita ou pedidos de ajuda, alguns homens podem apresentar mudanças de humor, isolamento, dificuldade para dormir, perda de interesse por atividades que antes davam prazer ou aumento de comportamentos usados como forma de aliviar tensões.
Entre eles estão o excesso de trabalho, consumo de álcool, jogos, pornografia e outras formas de compulsão.
“Nem sempre o sofrimento emocional aparece de maneira óbvia. Às vezes, ele se manifesta na irritabilidade constante, na dificuldade de desligar do trabalho, no afastamento das pessoas, na insônia ou na necessidade frequente de encontrar alguma forma de escapar do desconforto.”
Segundo Gil Jung, os reflexos também podem aparecer nos relacionamentos amorosos, familiares, profissionais e sociais. A dificuldade de identificar ou comunicar o que está sentindo pode se transformar em conflitos, impaciência, afastamento ou dificuldade de demonstrar afeto.
“Existe ainda uma associação cultural entre vulnerabilidade e fraqueza. Mas reconhecer que alguma coisa não está bem e buscar ajuda é justamente uma atitude de responsabilidade. Não é necessário esperar o sofrimento se transformar em uma crise para procurar acompanhamento psicológico.”
A psicóloga orienta que familiares e pessoas próximas estejam atentos a mudanças persistentes de comportamento, principalmente quando começam a afetar o sono, o trabalho, os relacionamentos ou atividades cotidianas.
Para Gil Jung, ampliar o debate sobre saúde mental masculina também passa por repensar a ideia de força.
“Homens não precisam dar conta de tudo sozinhos. Cuidar da própria saúde emocional não diminui a força de ninguém. Pelo contrário: permite compreender melhor o que está acontecendo internamente e construir relações mais saudáveis consigo mesmo e com as outras pessoas.”
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